Sou solteira. Tenho trinta
anos. E tenho bebido demais. E esta
não deveria ser a minha vida. Admito
ser alcoólatra uma
vez ao dia, em
média. Mas sou bem mais
do que isso. Sou secretária
formada em uma
faculdade conceituada e
tenho mais livros
na minha cozinha
do que habilidade para cozinhar .
Sou filha única
de um presidiário, condenado por
tráfico de drogas
e de uma
mulher que não rouba
nem sequer canetas do escritório. Neta de uma
mulher que insiste
que devo simplesmente
me casar com um homem
rico e sobrinha
de dois tios
afetuosos que nunca tiveram
filhos. Sou moradora
de Los Angeles transplantada para
essa cidade, com
uma crença questionadora nos
grandes poderes superiores e
um terrível pressentimento de
que aumentarei o número
de visitas solitárias nas
noites de sábado ao Joe
Hamburguer e à Blockbuster
Na época
em que eu
passei a beber
de forma descontrolada, minha
necessidade de um
namorado fora momentânea. As
drogas eram os
meus namorados; era tudo
do que precisava.
Como Uma Thurman
em Pulp Fiction —
Tempo de violência,
eu começava a usar
já no banheiro. Eu observava
minhas pupilas se dilatarem, sentia aquela inalação profunda e sabia
que estava numa
boa. E embora às
vezes houvesse homens
reais também, eu sempre acabava ficando
sozinha. As coisas mudaram desde
então. Porque já vão
longe os dias em
que vi aquela
criatura de cinquenta
quilos em farrapos me
encarando no espelho.
Eu estava sóbria. Recuperei minha
sanidade. Estava, infelizmente,
dez quilos mais pesada.
E achei que
tudo seria diferente
— que os homens me veriam como uma
excelente candidata à esposa e o amor viria
com a maior facilidade do mundo. Mas isso não aconteceu. Fazia cinco
anos que um
homem não dizia
que me amava. T rês
anos que não tinha ninguém
nem próximo de um namorado. E um ano e meio
que não fazia
sexo. E depois de
ter tido somente
três encontros nos
últimos dois anos, sabia que
algo tinha de
mudar. Porque, a
certa altura, deixa de
ser estranho ser
a última mulher
solteira no quarteirão. Simplesmente começa a doer . Assim, concluí que era hora de um novo tipo de
51/50.
Eu teria 51 encontros no
decorrer de 50 semanas, escreveria sobre todos
eles e, finalmente,
teria a vida
que achei que deveria
ser a minha.
Pois, mais do
que tudo, mais
do que um emprego diferente e um
namorado lindo, só quero estar apaixonada outra vez. Quero segurar a
mão de alguém
no cinema. Quero colocar
o nome dele
como o meu
contato de emergência na
ficha do consultório
médico. Quero dançar música lenta,
preparar o jantar
e que alguém
me aninhe em seu
peito depois do
sexo e me
diga que sou bonita. Não passei
a viver sóbria
para me ver
fechada em casa, para
parar de me depilar e me recolher em um canto para devorar
sor vete sozinha. Assim,
decidi que iria mostrar
o dedo do
meio ao destino.
Iria à luta
para encontrá-lo, porque tinha
bem pouca fé
de que o universo
fosse resolver isso
por mim. Já
tinha lhe dado chances de sobra.
Rezei, me- ditei e fiz todas as coisas que se mostram necessárias quando
precisamos nos libertar
da solidão e do
medo. E tudo
o que encontrei
foi mais solidão e medo. Dizem
que, se quisermos ouvir Deus rir
, basta contar-lhe o plano que
temos em mente. Mas estou
disposta a arriscar . Acho
que este plano
pode ser bem
melhor do que aquele que
o destino tem me
oferecido. Porque, embora talvez
eu seja para sempre
um risco, no
fim das contas, vou
conseguir ser a garota de alguém.

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